Terra Firma
Uma vez dentro do Hotel, já dava para respirar.
E bem fundo.
E bem fundo.
"Que foi aquilo?" Perguntou o Paulo muito surpreendido. " O Pedro tinha me dito que eram uns putos quais queres com jalabas!"
O Paulo tinha razão, essa gente não era nada o que esperamos. Blusões de cabedal, cicatrizes na cara; Parecia mais Brooklyn que Tânger.
"Ainda bem que vi aquele mocinho, se não..."
"Documentos faz favor"
O recepcionista ficou de mão estendida. Quase que tínhamos esquecido que estávamos a fazer o check-in. Entregamos os documentos necessários; mal podíamos esperar para ir ao nosso quarto descansar. Devia de ser uns 20horas, mas parecia muito mais tarde.
Chave na mão fomos acompanhados para o nosso quarto. A chave não parecia caber na fechadura, mas depois de algumas manobras jeitosas conseguimos. O quarto tinha três camas e uma mesa, não cabia mais nada. Não era de luxe mas para 4 euros por noite não se podia queixar.
Literalmente...afinal quem dava ouvidos?
Literalmente...afinal quem dava ouvidos?
A casa de banho era partilhada, que não inspirava muita confiança mas afinal era só para uma noite. Pois amanhã íamos seguir viagem.
Estava a escurecer e as ruas estavam a encher de gente. Faziam cada vez mais barulho. Fui a janela observar um pouco. Havia mulheres e crianças, homens com balões e algumas pessoas a montarem bancadas, cheias de gulosemas e ropas.
Perecia que ia haver uma feira.
Perecia que ia haver uma feira.
Paulo estava deitado em cima da cama a ler o livro.
"Olha diz aqui...que é Ramadão" Ele começou a ler em voz alta
"...Festival religioso...durante qual os crentes abstêm de comida, bebida e sexo...durante o dia..mas...que festejam a noite...e fazem tudo o que não podem de dia..."
"...Festival religioso...durante qual os crentes abstêm de comida, bebida e sexo...durante o dia..mas...que festejam a noite...e fazem tudo o que não podem de dia..."
"parece-me bem..." disse ele sorrindo
Começamos a rir, mas fomos interrompidos logo por alguém a bater a porta.
"Serviço de Quartos!"
" Deve ser alguém a querer vender Hash" disse Paulo apróximando a porta muito devagar como um agente secreto.
"mas o melhor é não comprar logo, pois vamos a Chefchoaen amanhã, não vale pena..."
disse a sorrir,
"pois vou comprar lá..é mais barato"
Pois ele tinha já tudo organizado na cabeçinha dele.
"mas o melhor é não comprar logo, pois vamos a Chefchoaen amanhã, não vale pena..."
disse a sorrir,
"pois vou comprar lá..é mais barato"
Pois ele tinha já tudo organizado na cabeçinha dele.
Ele abriu a porta.
Um jovem muito bem educado pediu licença para entrar. Ele devia ter a nossa idade; por volta das 19 ou 20 anos.
Um jovem muito bem educado pediu licença para entrar. Ele devia ter a nossa idade; por volta das 19 ou 20 anos.
Com muito cuidado ele tirou um pano do bolso.
"Tenho Hash bom aqui"
O Paulo olhou me e sorriu como quem diz ' sou bom, não sou?'
"Não queremos obrigado, mas podes entrar e sentar um pouco, se quiseres" Paulo gesticulou em sentido da cama, não havia sofá.
O jovem sentou-se em cima da cama sorrindo, transmitindo um ar muito simpático. Paulo perguntou-lhe sobre as festividades.
"É muito difícil" Disse o jovem "Temos que trabalhar durante o dia, sem beber água ou comer, é muito difícil..."
Ele abanou a cabeça, como se sentisse algum sofrimento.
Ele abanou a cabeça, como se sentisse algum sofrimento.
"És muçulmano?"
"Sou.." disse com muita firmeza "rezo cinco vezes por dia"
"Mesmo durante a noite?" Perguntou o Paulo
"Sim temeos que levantar da cama e ir rezar a mesquita"
"Eu cá não sei se era capaz de fazer isso" sorriu Paulo
"Mesmo durante a noite?" Perguntou o Paulo
"Sim temeos que levantar da cama e ir rezar a mesquita"
"Eu cá não sei se era capaz de fazer isso" sorriu Paulo
Entretandto ficamos muito admirados com a fé deste rapaz. No ocidente, ninguém mostrava fé em nada e este jovem parecia tão envolvido na sua religião. Ele parecia gostar de ser muçulmano, e era tímido e humilde. O contrário dos jovens na praça.
"Desculpa de pedir, mas não temos tabaco e queríamos algo para juntar ao nosso vodka..." disse Paulo a tirar a garrafa do nosso saco"Duty Free"
"Costumas beber?"
"Não posso beber..."
"Nada?!" Exclamou Paulo
"..mas se quiser posso ir comprar as coisas que queres" disse o rapaz sorrindo como se ele tivesse aí só para nos agradar.
Paulo entregou-lhe o dinheiro e o rapaz saiu...
Ficamos a ver o inicio das festividades da janela. A praça enchia ainda mais de gente de toda sorte. Os gritos de crianças e o barulho das trompetes enchiam a noite.
O Americano do barco passou por baixo da janela, a passear pela rua sozinho, o Paulo chamou-o e o Americano olhou-nos.
"Boa noite"
Ele não conhecer nos e o Paulo explicou que ele estava no barco connosco.
"Ah agora já me lembro " disse "não vão passear? Está tudo tão lindo.."
O Paulo bem apetecia mas eu não, estava com medo. Imaginava coisas maradas como Ali baba e os quarenta ladrões a fazer nos uma embuscada. Pois estava bastante paranóica.
Ficamos a ver o inicio das festividades da janela. A praça enchia ainda mais de gente de toda sorte. Os gritos de crianças e o barulho das trompetes enchiam a noite.
O Americano do barco passou por baixo da janela, a passear pela rua sozinho, o Paulo chamou-o e o Americano olhou-nos.
"Boa noite"
Ele não conhecer nos e o Paulo explicou que ele estava no barco connosco.
"Ah agora já me lembro " disse "não vão passear? Está tudo tão lindo.."
O Paulo bem apetecia mas eu não, estava com medo. Imaginava coisas maradas como Ali baba e os quarenta ladrões a fazer nos uma embuscada. Pois estava bastante paranóica.
O Americano fez nos adeus e continuo a passear. Na verdade parece que eu não me sentia lá muito segura com o Paulo, não sabia como ele podia aguentar um confronto inesperado. Pois podia ser um pouco agressivo, o que eu achava muito inapropriado neste país.
O rapaz voltou logo com as nossas coisas. Laranja para beber com o Vodka e o tabaco.
Já estávamos a ficar com fome e perguntamos-lhe se havia um restaurante aí perto. Por acaso havia um mesmo na frente do Hotel, no tal beco da entrada. Agradecemos o rapaz e fomos comer então; acho que o Paulo deu-lhe um gorjeta mas já não me lembro muito bem.
No restaurante pedimos umas bolinhas de carne num molho meio picante, pareciam almôndegas mas sabiam muito melhor. E logo a seguir da refeição o sono começou a apertar e achamos melhor ir dormir. Pois no outro dia tínhamos que trocar mais dinheiro, conseguimos trocar algum no Hotel mas íamos precisar de mais ainda.
Próxima paragem, Chefchauen
Voltamos o Hotel, e depois de andar a voltas com a chave quase pre-histórico, lá conseguimos entrar no quarto.
Bebemos um copo e vodka, que não gostei nada, nem sequer bebi tudo, e fomos dormir.
Na madrugada acordei com a chamada da mesquita. Não tinha bem a certeza o que foi que me tinha acordado. Já ninguem andava nas ruas, e não se ouvia barulho nenhum até uma voz poderosa cortou de novo o silêncio. Quase que parecia o próprio Deus!
Foi um pouco inquetante.
'Ah foi a Mesquita' pensei enquanto adormeci de novo...
