domingo, 4 de outubro de 2009

Capítulo 1

Uma Grande Entrada


Havia duas Suiças no barco e um Americano; eram as únicas pessoas estrangeiras além de nós. O resto era só Morroquinos, carregados de garrrafas de azeite. Perguntamos as Suiças porque elas queriam ir a morrocos. Elas contaram-nos que enfiaram uma agulha no mapa de olhos fechados e então foi decidido. Não sabiam nada da cultura do país, nem pareciam muito preocupadas.
Paulo disse-lhes que deviam ter cuidado, que era um país perigoso, principalmente para duas louras! .
Elas não tinham medo, tinham uma attitude muito positiva enquanto a sua viagem, e afinal era isso que interessava.

Eu já não.

Não conseguia largar essa sensação.
O barco atracou e os seus passageiros sairam de forma muito desordeira. Perdemos os outro estrangeiros da vista, enquanto fomos levados no mar de gente.
Chegamos o controlo de passaportes e os agentes perguntaram-nos a nossa nacionalidade.

"Britânicos" disse Paulo orgulhoso

Um deles agarrarou nos nossos passaportes.

"Sigam me se faz favor" Ele foi muito apressado á nossa frente, mal conseguíamos acompanhá-lo.
Subimos no elevador, passamos por vários corredores e finalmente chegamos um gabinete pequeno onde fomos ligeiramente interrogados. Tivemos de preencher um formulário e indicar todos os pormenores sobre a nossa viagem. Quanto tempo iamos ficar, onde iamos, se era de negocios ou só férias...etc etc.
Enquanto estavamos a preencher o formulário reparamos, da nossa janela com vista, as outras pessoas a passarem pelo controlo. Achamos tão estranho, que nós não tivemos que passar da mesma maneira. Mal acabamos de preencher os formulários fomos levados logo para a saída.

Saimos da porta, e na nossa frente estava um parque de estacionamente, completamente vazio. Este foi um grande choque porque não foi assim que nós pensamos que ia ser. Era Maio, talvez a época de ferias ainda não tinha comecado.
O amigo de Paulo, Pedro que esteve em Morrocos uns anos atrás, contou-nos que mal saiamos do controlo, estariamos mergulhados em gente a querer uma coisa ou outra.

Olhei ao Paulo

"Onde está toda gente?"

"Sei lá" ele respondeu um pouco vague "mas estou a ver uns taxis além, vamos apanhar um"

Parecia uma boa ideia e então lá fomos nós.

O Paulo vinha preparado com vários livros sobre o país e os seus costumes. Ele sabia tudo. Onde comprar o melhor Hashish, onde não comprar. A bem dizer era o único interesse dele era hashish.
Afinal estava no Islão; que mais havia de fazer?
Entramos no taxi.

"Hotel Grande Socco se faz favor"

O Paulo tinha deixado muito claro que ele é que comunicava com as pessoas. Não eu. Por mim estava tudo bem.
O taxi arrancou e lá fomos nós. Passamos primeiro por estradas largas e depois por becos e ruas tão estreitas que parecia um milagre passar as pessoas sem matar ninguem. O taxísta apitava conform que avancava e as pessoas afastavam-se. O ambiente estava muito vivo. Os becos estavem cheios de gente. Mas havia uma mistura da cultura morroquino com a 'cultura' occidental que não esperava. Havia um burro a transportar um televisão, e via-se parabólicas nos telhados. E muita gente, princialmente os mais novos não vestiam trajo tradicional.

Chegamos a praça e o taxista apontou em direcção ao Hotel.

"Grande Socco", disse.

O livro do Paulo disse que em Tangêr toda moeda era aceitável, e então tiramo os nosso escudos e pesatas e entregou ao taxista.

"O que é isso?"

Ele não parecia muito contente.

"Quero Dirham!! Não esta porcaria!"

"Mas é tudo o que temos" Explicou Paulo "ainda não trocamos dinheiro"

O taxista saiu do taxi e veio abrir a nossa porta.

"Sai!! Ingleses porcos! Sai do meu taxi se não mato vos!"

Não foi preciso dizer mais, nós saímos logo. Já agora havia muitos espectadores a nossa volta. Moços novos cada um a perguntar uma coisa diferente.

"Queres um hotel"?

"Queres Hashish?"

"Queres ir ao museu?"

O Paulo estava rodeado de gente, e já não conseguia orientar-se.

Fomos direitos ao hotel, mas não dávamos com a entrada.

O Paula marchava de um lado ao outro, e eu observava. Já não havia distinção entre as vozes, todas juntas faziam apenas um zumbido.

"Eu posso levar-te um Hotel" disse um

O Paulo parou e rangido os dentes disse:

"Sei onde vou"

Parecia o Clint Eastwood. Mas era evidente que ele não fazia ideia onde ia, pois só andava ás voltas.

No canto do meu olho vi um pequeno rapaz a indicar-me a entrada do Hotel. Pois estava ao lado num pequeno beco!

Claro!

Chamei ao Paulo e fomos em direcção à entrada...

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