sábado, 3 de outubro de 2009

Prólogo

O barco aproximava-se cada vez mais ao porto de Tânger. Eu sentia como se tivesse uma pedra no peito. Ou será azia?
Para onde é que ia eu?
Olhei ao Paulo. Ele não podia estar mais contente. O seu lindo sorriso enchia-lhe o rosto. Foi isso sorriso que me tinha captado.

“Vamos ao Islão” dizia ele, com ar de quem acabou de ganhar o euro-milhões. Eu não partilhava o seu entusiasmo.
De repente ele perecia-me um estranho. Tivemos a namorar apenas seis meses quando decidimos fazer esta viagem. Esta, a nossa aventura e, agora tudo tinha ficado tão estranho e distante.

Quem era essa pessoa?
Quem era eu?

Tinha uma premonição, ou coisa parecida e sentia que algo não estava bem. Que qualquer coisa ia correr mal. Tentei não ligar esse pensamento, e ser mais positiva. Afinal era só paranóia. Não era?
Então pensei nas semanas anteriores  Seis semanas fantásticas que passamos no Algarve e das pessoas que conhecemos. O Ernesto, o empregado do meu tio, O Evaristo, o caddie que andava armado; não percebíamos bem por quê. E aquela vez que fomos a casa dele jantar! O Luís, o dono do restaurante onde comíamos e bebíamos 
quase todas ás noites. La Palme D’or.
O Roberto com a perna partida, que tirou o próprio gesso da perna para poder ter relações com uma moça…

Tudo parecia ter passado há tanto tempo atrás. 
Na nossa última noite o meu tio expulsou-nos da casa, porque não queríamos ficar em casa com ele e a minha tia na nossa última noite. Convidamo-los para irem jantar connosco mas não quiseram. Queríamos dizer adeus aos amigos. Pensando bem, devíamos ter ficado em casa. 
O meu tio atirou as nossa mochilas para o jardim e disse para irmos embora. A minha tia chorava. Foi um filme dos piores.
Passamos a nossa última noite na casa do Everisto. Mas dormir foi impossível. A casa dele estava infestada com mosquitos.
De manhã abalamos logo no primeiro autocarro para Vila Real de Stº António. Apanhamos o barco para Espanha por um triz! Era domingo, os bancos estavam fechados e tivemos de trocar dinheiro na rua. A seguir do barco apanhamos boleia para Huelva. Antes de chegar a estação de comboios, o condutor levou-nos para uma rua cheia de, o que parecia ser, prostitutas e chulos! Um senhor trazia uma capa comprida e uma cana,  parecia o Sr. do Porto Sanderman, e as senhoras pareciam ter saido de uma taberna típica dos filmes de cowboy! Pensei que ele ia vender-me! Mas, ele parou apenas para conversar um pouco e levou-nos logo a estação.

Tivemos de passar a noite numa pensão, já que tínhamos perdido o último comboio. No outro dia a seguir apanhamos o comboio até Algeciras.


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